domingo, 5 de janeiro de 2014

Kafka à beira mar.



Bom domingo. 
Terminei ontem à noite o livro "Kafka à beira-mar" de Haruki Murakami (村上春樹).
À conta disso hoje de manhã não fui fazer o meu treino matinal.

Vou tentar fazer uma crítica ao conto e dar uma opinião. Aviso desde já que não sou o melhor neste campo.
A única certeza que tenho é que vou ter de o ler novamente porque a trama é elaborada apesar de Murakami escrever o texto de uma forma tão melódica que as palavras fluem facilmente pelo nosso cérebro.

A história mistura a vida real com a vida paralela, o limbo que consiste naquele estado entre a vida e a morte, onde não há memórias não há sensações não há nada. 
Consiste em duas personagens principais, Kafka Tamura, que aos 15 anos vive com o pai, um artista de renome e cuja mãe fugiu de casa com a filha tinha ele 4 anos. Decide fugir de casa em busca da liberdade e para escapar a uma profecia edipiana de seu pai.
A segunda personagem principal é Nakata, um senhor na casa dos 50 anos que, em criança entrou em coma após um acontecimento estranho no pós II Guerra Mundial, passando a ter a habilidade de falar com gatos e perdendo a capacidade de ler, desprovido de qualquer sentimento.

No meio da história juntam-se um ser andrógino, o coronel Sanders da KFC, gatos que comunicam com humanos, prostitutas que citam Hegel, entre outros.

Não é de achar estranho numa leitura de Murakami a mistura entre o fantástico e o real, onde se conseguem ter conversas com pessoas que viveram no passado bem como diálogos com pedras, ou sanguessugas que caem do céu inexplicavelmente.
Também já podem estar à espera que nos diálogos se fale de bons livros, filmes e boa música, não tivesse Murakami-san sido proprietário de um bar de jazz.

Na minha opinião este livro consiste na necessidade que nós, seres humanos, temos de encerrar ciclos sob pena de vivermos uma vida como se estivéssemos mortos, ao mesmo tempo que por mais que queiramos fugir não conseguimos escapar daquilo que é inevitável.

Apesar de achar que o fim é inconclusivo, acho que também era essa a intenção do autor, já que acaba por nos dar liberdade de escolha de como queremos que acabe a história.

Dá-nos verdadeiras lições sobre o que é o amor e a amizade bem como a necessidade de olharmos para nós mesmos e tentarmos perceber quem somos nós e para onde queremos ir.

Se tiverem oportunidade leiam este livro porque vai-vos viciar, não se preocupem se acharem o livro grande, pois por maior que seja o livro e por mais pesada que seja a história, Murakami-san consegue transformar as palavras em música: as cenas sexuais e de horror são muito pormenorizadas mas as palavras são escolhidas cuidadosamente. Vão gostar.

À venda em:

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Bom domingo e até à próxima.

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